
Tintos, brancos e rosados para moquecas, leitoas e feijoada, entre outros
São muitos os pratos brasileiros que pedem e agradecem a companhia de vinhos. É verdade que alguns ingredientes e temperos típicos são complicados, mas tintos, brancos e rosados acompanham com classe a moqueca capixaba, as peixadas, as leitoas e muitos pratos feitos com carne de porco, como a feijoada. Os pratos com frutos do mar em geral pedem brancos de várias tonalidades. Camarão, lagosta e outros crustáceos se ajeitam muito bem com chardonnays, principalmente os mais encorpados e com passagens pelo carvalho. São muitos os chardonnays chilenos e argentinos com essas características. A "moqueca capixaba" fica ótima com um sauvignon do Chile. Há tempos, Roberto Serpa e outros amigos da Sociedade dos Amigos do Vinho do Espírito Santo organizaram uma degustação de vários brancos com moqueca capixaba no restaurante "Pirão", de Vitória. Essa moqueca leva muito coentro, mas não dendê. O prato foi bem com diversos brancos secos, mas foram os sauvignons do Chile os que mais se destacaram. Os sauvignons chilenos do Valle de Casablanca são ótimas opções. Mesmo uma moqueca baiana pode ir bem com o sauvignon, desde que seja bastante moderada no dendê. As tradicionais peixadas do litoral, que costumam combinar peixes, crustáceos e outros frutos do mar também gostam de brancos secos e com boa acidez, como os sauvignons, e também os rosados. O mesmo vale para as muitas sopas de peixes e frutos do mar. Afinal, a mais famosa delas, a bouillabaisse, costuma ser acompanhada de rosados no lugar onde nasceu, Marselha. Muitos dizem que feijoada e vinhos não podem andar juntos. Um exagero. É certo que esse ícone da cozinha brasileira tem temperamento difícil, pois combina muitos ingredientes diferentes (carnes, embutidos, vegetais, etc.). Mesmo assim vai bem com muitos tintos, desde que não se abuse da couve, pois seu amargor briga com os vinhos. Também é bom moderar na pimenta. A feijoada é um prato potente e salgado, o que elimina quase automaticamente os mais tânicos, como os elaborados com a cabernet sauvignon. Tanino e sal são inimigos. O tanino é uma substância que encontramos em tintos, principalmente jovens, que ‘‘amarra a boca’’, como algumas frutas verdes (caqui, por exemplo) e chá frio. Um bom lambrusco italiano e um espumante tinto da Chandon foram os melhores que provei com feijoada. A Associação Brasileira de Sommeliers chegou a promover um almoço, no restaurante Tordesilhas, para estudar essa combinação. Deu um lambrusco, um tinto ligeiro, seco, frutado, sem tanino e frisante. Mas atenção: estamos falando do legítimo lambrusco, feito com a uva do mesmo nome, numa extensa zona da Emilia Romanha, e não desses docinhos que encontramos normalmente aqui por preços bem baixos. A combinação da feijoada com o bom espumante tinto e seco da Chandon foi aprovada várias vezes. Os espumantes tintos de Portugal também podem ser lembrados.A leitoa assada (e também a frita) fica ótima com tintos de Rioja, com os feitos com a malbec na Argentina e com a merlot no Brasil e no Chile. São vinhos com poucos taninos. Um bom champanhe e outros bons espumantes, como os nacionais, também podem ser boas companhias para as leitoas assadas. Parece que as bolinhas de gás ajudam a ‘‘lavar’’ a gordura. Lombos de porco, costeletas e pernis se entendem com os tintos que acompanham a leitoa. O virado à paulista fica bem com esses tintos, desde que a couve não interfira demasiadamente. Texto de:http://vivasaopaulo.as1.com.br/